Escola Vinobianco · Borgonha
Como um muro de monges, cerca de 80 donos e um declive suave explicam um dos Grand Crus mais famosos — e mais irregulares — da Borgonha.
~50 ha um único Grand Cru murado | ~80 proprietários dividem o Clos | Séc. XII monges de Cîteaux plantam | 4 Premiers Crus na comuna |
Uma comuna inteira atrás de um muro
Vougeot é a menor comuna da Côte de Nuits, espremida entre Chambolle-Musigny e Flagey-Échezeaux. O curioso é a proporção: cerca de três quartos dos seus vinhedos estão dentro de um só lugar, o Clos de Vougeot — um Grand Cru de aproximadamente 50 hectares, o maior da Côte de Nuits, cercado por um muro de pedra.
Em quase toda a Borgonha, a comuna dá nome a vários vinhedos. Em Vougeot, um único vinhedo praticamente dá nome à comuna.
Os monges que inventaram o “climat”
No início do século XII, os monges cistercienses da Abadia de Cîteaux receberam as primeiras parcelas dessa encosta. Durante gerações eles plantaram, provaram e anotaram: perceberam que trechos vizinhos davam vinhos diferentes, e passaram a separá-los.
É dessa observação paciente que nasce a ideia borgonhesa de climat — cada pedaço de terra com sua identidade. O muro, concluído no século XIV, protegia esse patrimônio. O château construído pelos monges ainda está lá, no alto do Clos.
Da Revolução aos 80 donos
Com a Revolução Francesa, o Clos foi confiscado da Igreja e vendido como bem nacional. Ao longo do século XIX, heranças e vendas foram fatiando a propriedade. Hoje são cerca de 80 proprietários, alguns com poucas fileiras de videira.
Na prática, isso significa que o rótulo “Clos de Vougeot Grand Cru” sozinho diz pouco. O que define a garrafa é quem fez e de qual parte do Clos vieram as uvas.
Alto, meio e baixo: por que a parcela importa
O vinhedo desce em suave declive. No alto, colado ao Musigny e ao Grands-Échezeaux, o solo é mais calcário e drena bem — de lá saem os vinhos mais finos e aromáticos. No meio, uma faixa de transição. Embaixo, perto da estrada, a argila é mais profunda e o vinho tende a ser mais robusto e menos detalhado.
Dica de sommelier: ao comprar um Clos de Vougeot, pergunte pelo produtor e pela localização da parcela. É a diferença entre um bom vinho e um grande vinho.
Os Premiers Crus e um branco raro
Fora do muro, Vougeot tem quatro Premiers Crus: Les Petits Vougeots, Les Cras, Clos de la Perrière e La Vigne Blanche. Este último guarda uma raridade numa terra de Pinot Noir: o Clos Blanc de Vougeot, um Chardonnay plantado ali desde os tempos dos monges.
Os Premiers Crus costumam oferecer o caráter da comuna com preço mais acessível que o Grand Cru — uma ótima porta de entrada.
Como degustar
Um Clos de Vougeot bem feito tem fruta escura (cereja negra, ameixa), especiarias e taninos firmes. Com os anos, ganha notas de sous-bois, cogumelos e couro. Peça paciência: os melhores pedem de 10 a 20 anos de guarda.
Sirva entre 16 e 17 °C, em taça ampla de Borgonha, que abre o aroma e suaviza o tanino. Harmoniza com pato, codorna, cogumelos selvagens e queijos de casca lavada. Safras de referência recentes: 2015, 2019 e 2022.
Um palco da Borgonha
Desde 1934, o château do Clos é a casa da Confrérie des Chevaliers du Tastevin, a confraria que celebra os vinhos borgonheses com seus banquetes e entronizações. Se for à Côte de Nuits, a visita é obrigatória.
Para levar a aula para a mesa A taça Burgundy da Spiegelau O bojo de 960 ml foi desenhado para Pinot Noir: abre o aroma e equilibra a acidez. Caixa com 2 taças, R$ 740 (R$ 703 no Pix). Conhecer a taça →Borgonha na caixa Medalhas da Europa Chablis Premier Cru Montmains e Crémant de Bourgogne, ao lado de Saint-Julien e Rioja Reserva. 6 garrafas, R$ 2.120. Reservas até 22/12. Ver a caixa → |
Receba a próxima aula Uma região, um produtor ou uma técnica de serviço por edição, em 5 minutos de leitura. Quero receber pelo WhatsApp |